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quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Carmen and Shane

Uma singela homenagem ao casal mais lindo de todos os tempos.





quarta-feira, janeiro 19, 2011

obvio


Shane McCutcheon


Shane McCutcheon


Boa amiga, divertida e mulherenga. Sempre disposta a ajudar e confiável, mas somente no que tange suas amizades, sua vida amorosa é simplesmente o oposto, quando se trata das mulheres com as quais se relaciona deixa a desejar. Sua maior qualidade é seu companheirismo e seu maior defeito é a incapacidade de lidar com suas emoções.


Quem é você no The L Word?


terça-feira, julho 13, 2010

Living after goodbye – Parte VII

Alice e Shane chegam à residência da cabeleireira. Da entrada, elas veem Bette, Tina e Max organizando as coisas para o churrasco. As duas percebem os movimentos mais lentos do amigo, prestes a dar à luz. As amigas demoram o tempo necessário para Shane trocar de roupa. A morena se sente mais à vontade em suas camisetas largas e bermudas de skatista. Ela ajeita o cabelo debaixo de sua toca preta e calça um chinelo. Não tardam a se reunirem na piscina da casa ao lado.

- Bom dia! – cumprimenta a cabeleireira.

- Ei Shane! Você parece mais bem disposta hoje – observa Max.

- Hei guys, onde deixo essas belezas? – quer saber Alice, apresentando as duas garrafas de vodka.

- Ow, eu cuido delas – prontifica-se Bette – Vou pôr no freezer – informa.

- Deixa eu ajudar você com isso, Max – oferece-se Shane. Ela não deixa o amigo se abaixar para pegar o carvão – Você não deve fazer esse tipo de esforço, boy. Tem que pensar no bebê – alerta.

- A Shane está certa, Max. Você deveria relaxar. Nós damos conta – diz a produtora – Quem sabe um banho de piscina? Eu adorava um quando estava grávida de Angélica – a loira sorri para a filha, que brinca na água.

- Acho que não me sentiria bem, Tina, mas obrigado. Já que vocês vão cuidar das coisas, eu vou me sentar um pouco – decide o desenvolvedor de softwares e se ajeita numa cadeira reclinável.

Shane tira a camiseta e a deixa sob os ombros, ao redor do pescoço, ficando de biquíni e bermuda. Ela se candidata a tomar conta do churrasco. Bette acha ótimo, porque não tem mesmo qualquer intimidade com a churrasqueira. Tina mostra à amiga onde estão as carnes já temperadas por ela e vai até à cozinha preparar as saladas. Alice se oferece para ajudar e vai com a produtora para a cozinha.

- Como vão as coisas, Shane? Algum trabalho novo? – pergunta Max.

- Bom, nenhum garoto para interpretar na tevê e acho que vou dar um tempo nessa coisa de andrógina propaganda – ela ri de si mesma – Mas tem uma proposta da Paramount no que eu realmente gosto de fazer: transformar pessoas com cortes de cabelo.

- E você vai aceitar? – quer saber Bette.

- Conversei com Alice sobre isso essa noite.

- E? – insiste o grávido.

- Ela disse que seria um erro não aceitar. Eu ainda não dei minha resposta – diz.

- Produção de filme ou tevê? – questiona a curadora.

- Filme… É o roteiro da Jenny. Tenho até segunda para ir até lá e começar a trabalhar ou desistir – revela.

- Entendo – Bette dá um tapinha carinhoso no ombro da amiga – Mas você deve enxergar o trabalho, não a Jenny. Eu sei que é difícil, mas ela se foi. E nós temos que continuar, Shane.

- Bette está certa, Shane. Você deveria aceitar o emprego. É uma produção badalada pelo que andei lendo. E, ao que parece, muita gente vai prestar atenção nesse filme. Pode ser uma grande oportunidade para você – avalia Max.

- Mamy Be, a tia Shane pode cortar meu cabelo? – pede Angélica, enquanto se equilibra em sua boia de golfinho.

- Depois a gente vê isso com a mamy Ti, docinho – responde à filha – O que você acha, Shane? – pede a opinião da amiga.

- Bem, se vocês deixarem, é claro que sim. Adoro os cachinhos de Angie, sempre disse isso – responde a cabeleireira e pisca para a menina, que se diverte batendo os pés na água.

Kit e Sonny chegam. Ela carrega uma travessa de arroz à piamontese enquanto seu namorado tem nas mãos alguns fardos de cerveja. Bette pega o arroz com a irmã e chama o cunhado para guardar a bebida no freezer.

Quando os dois entram, Tina e Alice saem com duas travessas de saladas. Uma de folhas verdes com tomate seco e azeitonas pretas e outra de salada de batatas. A produtora traz ainda um copo de suco para Angie. Ela deixa a travessa na mesa e vai até a piscina onde está a menina.

A loira puxa a boia até a borda e dá o copo de suco de melancia para a filha, o preferido de Angélica.

- Como está se sentindo hoje, Max? – preocupa-se Kit. Ela se senta ao lado dele.

- Bem desconfortável, na verdade. O carinha aqui está se mexendo bastante – responde ele e coloca, mesmo que sem jeito, a mão sobre a barriga.

- Qual foi a previsão da médica para o parto, Max? – quer saber a produtora executiva.

O transexual olha para Alice.

- Ow shit, ele pode nascer a qualquer momento – informa a jornalista.

- Mas não se preocupem, estamos cuidando das coisas. A bolsa dele já está arrumada e o berço do bebê também – revela Shane – Max e eu andamos trabalhando nisso – ela faz um sinal para o amigo, que sorri, feliz por ter as garotas por perto.

Helena chega com Mary e algumas sacolas de supermercado.

- Bom dia a todas! – cumprimenta ela e logo sorri ao ver o drag queen – E bom dia Sonny – sorri. A inglesa pega na mão da policial e a introduz ao ambiente – Bom, acho que não preciso apresentar Mary a vocês – diz e a deixa para guardar as coisas que trouxe.

- Oi – a detetive levanta a mão direita num tímido cumprimento a todas.

- Olá Mary, seja bem vinda a nossa casa – adianta-se Bette e troca um aperto de mão com ela.

- É um prazer recebê-la aqui – Tina chega, abraça sua mulher por trás com uma das mãos e também dá as boas vindas à detetive.

- Sua filha não quis mesmo vir? – pergunta Kit.

- Não, como eu previa. Ela ficou em casa em meio ao trabalho que está fazendo – diz.

- Ah, você tem uma filha – admira-se Bette – Quantos anos ela tem? – interessa-se em saber.

- Liv tem 26 anos – informa.

- Nossa, você deve ter sido mãe muito cedo – especula Tina.

- Eu tinha 17 anos quando ela nasceu – conta – E Liv foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida – emociona-se ao pensar em sua fada ruiva.

Helena retorna da casa e a abraça por trás, dando um beijo no pescoço da investigadora.

- A filha dela é absolutamente adorável – elogia a empresária – Vocês precisam conhecê-la – olha diretamente para Shane, que ri da ideia da empresária.

- Sonny, será que você poderia cuidar da música? – pede Tina, enquanto tira o vestido e cai na piscina.

- Eba! – Angélica se joga da boia e mergulha com sua mãe.

- Você precisa de um aparelho de som ou um notebook? – indaga Bette.

- Não é necessário – ele responde – Eu costumo ter uma pequena mesa de som no carro. Vou buscar e montá-la aqui, é rápido – garante o transformista e se retira.

- A noite de ontem foi incrível, Helena! O Hit nunca esteve tão cheio. Adorei a decoração temática – elogia Alice.

- Obrigada. Mas os méritos são, especialmente, de Kit e Sunset Boulevard. Elas são o algo a mais do Hit – pisca para a sócia.

- Babygirl, não seja modesta! Você sabe que faz um trabalho incrível e, além do mais, as meninas são loucas por você – ri – Aliás, Mary, você não deveria deixar a nossa inglesinha solta no Hit à noite. As garotas não perdoam – aconselha, divertida.

- Bem, eu não sabia que era assim. Vou ter que tirar alguns dias para aparecer por lá – avisa e beija a empresária.

- Ok, eu vou adorar ter você no Hit, honey, mas não é bem assim – defende-se Helena.

- Ah é sim – instiga Tina – Principalmente com Shane fora de circulação – provoca a produtora do Peabody-Shaolin Film Studio.

- Ah é! As lésbicas de Los Angeles estão numa espécie de luto por sua diva – complementa Bette.

- Hei, eu já entendi o recado, ok? Podemos mudar de assunto? – pede a cabeleireira.

- Shane, você é o centro do Les World depois da saída de Papi. O The chart não me deixa mentir – insiste Alice.

- Ok, Al, mas já chega – a morena encerra o assunto.

Shane corta carne e passa a bandeja para a jornalista servir às outras pessoas. Tina faz um prato para a filha e dá almoço à Angie na borda da piscina. Helena prepara drinks à base de vodka ao gosto das amigas e um Dry Martini para si mesma. Sonny bebe cerveja. Max vai de refrigerante. Kit acompanha a sobrinha no suco, para orgulho de sua irmã. Mary também fica apenas no refresco de frutas. Ela diz que até gosta de beber, mas vai trabalhar mais tarde. Nada de álcool, portanto.

O DJ reveza com Shane na churrasqueira enquanto seu set list de clássicas da música eletrônica anima o ambiente.

Bette e Tina dançam com Angélica. Alice se senta com Max e almoça. Shane tira Kit para dançar e Helena convida Mary. Ela aceita e se revela uma grande dançarina, deixando a inglesa excitada.

Depois que todos almoçam, a festa vai para dentro da piscina. Apenas Max e Mary ficam de fora. São quase três da tarde e o desenvolvedor de softwares sente seu desconforto aumentar, mas não fala nada. Ele conversa com a policial e conta de um projeto independente no qual vem trabalhando e confessa que espera vendê-lo a uma grande corporação. Mary percebe que ele não está bem e pergunta o que Max está sentindo. Ele não tem tempo de responder. Uma contração mais forte faz com que se curve de dor. A detetive percebe que a bolsa de líquido amniótico rompeu. Ela se levanta e avisa a todas.

- O bebê está nascendo – anuncia.

Living after goodbye – Parte VI

Em casa, Liv se concentra em seu trabalho. Quer apresentar pelo menos três conjuntos de roupas para as personagens já na segunda-feira. Pensa em Dylan enquanto cria peças exclusivas para o figurino do filme. Pensa na outra protagonista da história, a agente secreta do FBI, que vai fazer par romântico com a personagem mercenária de Niki Stevens.

A ruiva gosta mais da outra personagem, mais centrada e sóbria. Pensa para ela, como figurino principal na cor preta, um mini vestido de algodão para ser usado com uma calça skinny de couro com a costura em linha de um tom dourado envelhecido aparecendo. Marcando uma cintura baixa, ela escolhe um cinto cobre fosco, largo, no qual está fixado o coldre da arma da personagem. Liv ainda não está satisfeita com sua criação.

Abre seu closet e busca alguma peça que combine com o que tem em mente. Sorri instantaneamente para sua bota Prada, de uma coleção exclusiva. Cano longo, o modelo de cor marrom escuro é formado por três partes que se encaixam. A primeira, um sapato clássico, de bico levemente quadrado; a segunda parte vai até a metade da canela e está costurada à debaixo. O laço do cadarço trançado ao longo da perna fica pouco abaixo do meio da canela. A última parte, costurada à segunda pelas laterais, sobe até abaixo dos joelhos numa outra bela amarração.

- Isso é o que eu chamo de uma Xena moderna! – avalia, referindo-se à personagem de seu seriado preferido de alguns anos atrás.

Para terminar o look, pensa em algo para quebrar o preto da roupa. Muitos cabides depois, encontra um sobretudo bordô, comprado em sua viagem à Itália, numa loja da Gucci.

- Esta dupla é perfeita! – orgulha-se de suas peças.

Ela volta ao notebook onde trabalha desenhando com uma caneta própria para a tela de seu Mac. Acrescentados os detalhes, a figurinista sorri satisfeita com sua criação.

Bette, Tina e Angélica vão ao supermercado em busca de suprimentos para a festinha diurna que realizarão em sua piscina. Angie se diverte entre as prateleiras de doces e suas mães precisam se esforçar para não ceder aos pedidos encantadores da menina.

Em meios às compras, a curadora da galeria de arte recém inaugurada em L.A. encontra-se com sua sócia, Kelly Wentworth.

- Bom dia família feliz – cumprimenta Kelly.

- Ei, Kelly. Como vai? – responde Tina.

- Ótima! E vocês? – ela pergunta, jogando charme para Bette.

- Ótimas também – a morena dá mais atenção ao rótulo da garrafa que tem nas mãos.

- Essa é a pequena Angélica de quem Bette tanto fala? – interessa-se pela menina – Ela é linda, Tina!

- Obrigada – orgulha-se a mãe.

- Parabéns! Então, Bette, quando teremos novidades na galeria? – tenta chamar a atenção de sua sócia.

- Ow… Achei que fôssemos discutir isso na reunião de segunda-feira, Kelly – responde a curadora.

- Certo… Bem, boas compras e bom final de semana – despede-se.

Tina olha para a loira já a certa distância e depois para sua parceira. Ela está realmente feliz com a atitude de sua mulher.

- Isso foi incrível! – comemora.

- What? – pergunta Bette.

- Kelly Wentworth flertando, jogando charme e você ignorando tudo isso ou tudo aquilo – diz.

- Ah – a morena faz com que sua atitude não pareça nada demais.

- Bette? – Tina chama sua parceira.

- Sim?

- O que está acontecendo aqui?

- Nada demais, Ti. Eu só estou feliz por estar casada com a mulher que eu amo e que, felizmente, escolheu me amar também – sorri.

A produtora se emociona com a resposta.

- O que vamos levar para sobremesa? – pergunta a curadora.

- Sorvete de chocolate! – responde Angélica.

- Huumm! Sorvete de chocolate? – a loira pega a filha no colo.

- É! – a menina confirma o pedido.

- O que você acha, mamy Be? – pergunta a sua mulher.

- Acho uma ótima ideia! – a curadora sorri.

Elas se dirigem para a área de gelados do estabelecimento e acrescentam dois potes de sorvete de chocolate ao carrinho.

- Mais alguma coisa? – pergunta Bette.

- Hum… Acho que não, está tudo aqui – analisa Tina, conferindo os produtos no carrinho – Já podemos ir – conclui – Será que todas as meninas vão? – questiona.

- Acho que sim… Em mais de uma semana quase não conseguimos fazer nada sozinhas! – comenta a curadora.

- Eu gosto da presença delas… E parece que estamos, não sei, mais unidas de alguma forma depois… – constata a produtora.

- É, a morte de Jenny nos aproximou de uma nova forma, como se tivéssemos mudado de nível ou coisa assim – concorda a morena.

Elas passam os produtos no caixa e se dirigem para o carro. Angie vai no colo de Bette enquanto Tina ajeita as coisas no porta-malas. A curadora ajeita a filha na cadeirinha e elas seguem para casa.

Shane e Alice também passam no supermercado antes de irem para a casa de Bette e Tina. Elas deduzem que as amigas darão conta das comidas. Então, decidem se dedicar à prateleira das bebidas.

- E então? – pergunta a jornalista, sem saber o que pegar em meio a tantas garrafas.

- Acho que… Vodka! – decide a cabeleireira.

- Comum ou sabores? Ai, por que esses fabricantes têm que dificultar as nossas vidas? – a loira questiona com duas garrafas de diferentes cores nas mãos.

- Ei, Al, deixa que eu cuido disso, ok? Vamos ver… – Shane pega as garrafas das mãos de Alice e as analisa.

- Absolut Citron. Boa escolha! Mas acho que a nossa boa e velha vodka nós dá mais possibilidades de drinks – comenta.

- Alguma sugestão de drinks?

- Hum… Cranberry, Vodka Gimlet, Cosmopolitan, Spiced Pear Mojito, nosso tradicional Sex on the beach, Tonic and… Vodka Martini!

- Vamos levar um Martini também? – pergunta Alice.

- Hum, não. A Helena com certeza vai levar um – considera Shane.

- Ah, sure! Martini e Helena. Não estamos nos esquecendo de nada? – pergunta a loira.

- Canudinhos coloridos com frutinhas? – sugere a morena.

- For sure! – anima-se a jornalista.

Elas passam na sessão onde se encontram os canudinhos e escolhem um pacote de cores e frutas sortidas. Terminada a compra, seguem para a casa de Shane.

No The Planet, Kit está cuidando das coisas quando Helena chega com Mary. As duas estão suadas e a inglesa ligeiramente sem fôlego.

- Alguém aí quer uma água? – oferece a sócia.

- Duas, por favor! – pede a empresária.

Kit volta com duas garrafas e entrega às duas.

- Bom dia sargento MacDuffy. Tudo bem?

- Bom dia… E não precisa usar meu nome oficial aqui. Pode me chamar de Mary – sorri – Obrigada pela água, Kit.

- De nada – a irmã de Bette avalia positivamente a detetive – Vocês aceitam mais alguma coisa?

- Pode deixar que eu vejo isso Kit, mas acho que não vamos ficar muito. Tem a reunião na casa de Bette e Tina, você não vai? – pergunta Helena.

- É claro que eu vou! – ela ri – Sonny vai passar aqui daqui a pouco. Você fica com a gente, Mary? – quer saber, curiosa.

- Ow, Helena me convidou, mas… Eu não sei…

- Não sabe? Por acaso tem medo de nós? – brinca a sócia-proprietária do bar e café.

- Ah, de forma alguma, não é isso, Kit. Eu só não sei se devo ir… – explica.

- Mas é claro que deve! Vai ser divertido… Let’s go, girl! – insiste.

- Bom, eu só não posso ficar muito. Entro no plantão hoje às quatro da tarde. E preciso passar em casa antes. Tenho que ver como está Liv – revela.

- Liv? Quem é? – indaga Helena.

Mary sorri ao ouvir o nome da filha.

- Minha pequena fada ruiva. Bem… Não tão pequena assim – ela faz um gesto engraçado com a cabeça – Liv é minha filha. Ela está em casa, trabalhando. E eu sei que quando ela se concentra em algo, esquece que o mundo existe – diz.

- Leve-a também – sugere Kit.

- Não sei se ela vai querer ir. Ela está muito empolgada com o novo trabalho. Quer levar algumas coisas prontas na segunda-feira – justifica.

- Mas você vai? – pergunta a inglesa, já refeita da corrida.

- Vamos, Mary!

- Ok, eu vou.

Helena sorri, feliz com a decisão da investigadora.

- Posso passar na sua casa e vamos juntas. O que você acha? – oferece a empresária.

- Ok, sem problemas. Até mais, então… – ela se despede de Kit e dá um selinho em Helena antes de sair.

A inglesa se volta para sua sócia.

- Ai! – ela comemora.

- Babygirl! Mas o que é isso? Já temos um relacionamento? – quer saber a amiga.

- Hum… Ainda não! Estamos… Nos conhecendo ainda. Mas acho que poderemos ter um relacionamento! – alegra-se.

- Ha ha! É isso aí, garota! Você tem que seguir com sua vida. Aliás, todas nós, não é mesmo? – as duas se abraçam.

- Você está certa, Kit.

Sonny entra no Planet.

- Olá, meninas! – cumprimenta ele sorrindo.

- Ei! E, lamento dizer, tchau, Sonny – diz Helena.

- Mas já? – pergunta ele. Depois, beija Kit.

- Preciso de um banho urgente e trocar de roupa. O ritmo dela não é fácil de acompanhar, Kit. Beijos… Vejo vocês daqui a pouco – a bela inglesa sai.

- Programação para hoje? – pergunta Sonny Benson, que à noite se transforma em Sunset Boulevard, a rainha das pistas em L.A.

- Almoço e piscina na casa da minha irmã – responde a mais velha das irmãs Porter.

- Só para garotas? – ele pergunta, entre beijos.

- Hum… Não, boy! Não somos o clube da Luluzinha. As meninas sempre aceitaram bem os meus relacionamentos. E… Elas adoram você! – derrete-se Kit.

- Sinto-me lisonjeado por ser bem vindo em tão seleto grupo de mulheres! – diz ele, com uma reverência em tom de brincadeira.

- Oh, come on, boy! Pare com isso! – pede a empresária.

- Ok! E nós vamos para lá agora?

- Daqui apouco. Tenho que dar algumas instruções aqui, já que Helena também não vai ficar.

- Por falar em Helena, ela parecia bastante animada. Aconteceu algo? – interessa-se em perguntar.

- Seria mais correto dizer aconteceu alguém. Uma certa policial anda mexendo com os desejos e brilhando os olhos da nossa inglesinha – revela.

- Bem, desejo que ela seja feliz. Nesse pouco tempo que trabalho com vocês, aprendi a admirar Helena. Ela é uma mulher incrível – elogia.

- Essa é a mesma opinião de noventa e nove vírgula nove por cento das frequentadoras do Hit, baby. Para lotar aquele lugar, basta que ela esteja lá – diz.

- A preferida da noite na Cidade dos Anjos? – diverte-se o Drag Queen.

- Acho que não chega a tanto… A preferida de L.A. é a Shane! E esse título é difícil de tirar dela – comenta Kit – Bom, deixa eu trabalhar um pouquinho que logo nós vamos pra casa da Bette – avisa e deixa o namorado com um beijo.

Antes de decidir sobre a roupa, Mary se preocupa em ver como está Liv. Ela encontra a filha como imaginava, sentada no tapete azul turquesa de seu quarto, ladeada por seus puffs aromáticos de bichinhos e totalmente imersa em seu computador. A mão que segura a caneta de desenho não para.

A policial observa a figurinista trabalhar. Observa-lhe os traços delicados e a determinação em ser perfeita no que faz.

- Liv? – chama em tom baixo, para não assustá-la.

A garota responde com um sorriso.

- Você se lembrou de comer alguma coisa? – questiona a investigadora.

- Que horas são? – espanta-se a ruiva.

- Ainda não é tão tarde, querida. São dez horas. Mas você está aqui desde cedo, deveria ter comido pelo menos uma fruta, ter saído para respirar um pouco. Faria bem… – de roupão e com os cabelos ainda molhados, ela entra no quarto e se senta ao lado da filha – Fez muita coisa?

- Estou tentando criar pelo menos três figurinos para os personagens. Esse daqui é o da atiradora de elite, uma das principais – ela aponta para o modelo que já mostrara à Dylan.

- Diferente… Não sei se poderia ser adotado, mas para um filme, é lindo, baby – Mary se levanta – Que acha de mim usando um modelito assim? – pergunta, divertida.

- Mãe, você já é a policial mais gata de L.A. Num modelito assim, iria provocar sérios danos a todos os seus colegas da corporação. Acho que a polícia federal da Califórnia ia sofrer sérias baixas por sua causa – a jovem responde no mesmo tom de brincadeira.

- Certo. E o que você vai fazer pelo resto do dia? – quer saber a oficial.

- Eu não tenho planos para hoje, a não ser trabalhar, mãe. Talvez, mais tarde, eu ligue para a Dylan… – cogita – E como foi a corrida? Ou não foi uma corrida? – provoca a detetive.

- Foi só uma corrida mesmo, mocinha. Bom… Eu vou sair com ela daqui a pouco… – conta.

- Huuuuuum! – Liv deixa a caneta de lado e se joga em cima de sua mãe, fazendo as duas caírem – Isso já é quase um relacionamento! – pronuncia a palavra com voz de personagem de filme de terror – Precisa de ajuda com a produção? – oferece.

- Acho que não preciso de uma produção! É um almoço entre amigas, não um encontro a duas.

- Nossa, mas já vai conhecer as amigas? A família também?

- Engraçadinha! Deixa eu ir me arrumar… A Helena vai passar aqui – informa.

- Quer dizer então que vou poder conhecer? – anima-se a jovem.

- Se prometer se comportar – adverte Mary, implicando com a filha.

- Prometo que não vou morder! – a ruiva levanta o braço em sinal de juramento e ri.

Ela se levanta e vai até o quarto da mãe opinar no que a policial deve vestir para a ocasião. As duas concordam em uma bermuda de tecido leve, uma camiseta esporte e sandálias rasteiras. Um visual despojado, bem diferente da austeridade do dia a dia da investigadora.

Mary prepara um almoço simples para a filha. Tirinhas de frango aos vegetais e arroz. Ela sabe da aversão de Liv por panelas e fogão, apesar de, quando querer, a figurinista saber muito bem fazer uso de temperos e ingredientes na cozinha. Enquanto isso, a ruiva prepara uma gelatina de framboesa, sua preferida.

- Você tem certeza que não quer ir? – certifica-se Mary.

- Tenho, mãe. Vou ficar em casa, em meio a minhas ideias, brincando de criar modelos para as personagens do filme e do game. Eu estou me divertindo muito aqui. Os modelos virtuais que o pessoal enviou são fantásticos – entusiasma-se a jovem.

A campainha toca. Mãe e filha se olham e sorriem.

- Foi difícil achar o caminho? – diz Mary, enquanto recebe Helena.

- Não, estou acostumada a passar por aqui. Acho até incrível que nunca tenhamos nos visto – comenta a empresária.

- Bom, pode ser que não tenhamos reparado uma na outra antes – cogita a oficial do FBI.

- É, pode ser. Então, está pronta? – pergunta, enquanto admira o visual básico-chic da detetive – Você está linda – elogia.

- Ah, obrigada! Nada como ter uma figurinista em casa, não é? – responde Mary, um tanto sem jeito com o elogio da outra – E, eu… Bem, Liv está aqui… Pensei que…

- Seria um prazer conhecer sua filha – diz Helena.

Elas sorriem.

- Liv? – chama a policial.

- Já vou, mãe – responde ela, enquanto põe a gelatina na geladeira. A jovem ajeita o vestido branco simples que usa e vai até a sala.

- Helena, essa é minha filha, Liv – Mary apresenta as duas, que se admiram mutuamente.

- Agora entendo porque sua mãe se refere a você como fada ruiva – sorri a inglesa, cordialmente. Elas se dão as mãos num cumprimento amistoso.

Liv se alegra ao ouvir o apelido que tem desde a infância.

- Dizem por aí que eu nasci numa floresta da Irlanda, mas nada comprovado – conta, espirituosa.

- Você vem com a gente? – pergunta a empresária, gentil.

- Ah, não, obrigada. Estou entretida com uns figurinos e brincando de desenhar um uniforme para um exército alienígena também – diverte-se.

- Uh, parece desafiador.

- E é, mas é divertido também. Ah, por favor, não se atrasem por minha causa – ela olha para Helena e Mary – Divirtam-se! – despede-se da sócia-proprietária do Hit com um abraço carinhoso e da mãe com um selinho, um carinho natural entre elas – Bye… – Liv sobe as escadas em direção ao seu quarto.

- Ela é adorável – avalia Helena.

- Ela é muito parecida com a outra mãe dela…

- Mia. Não era esse o nome? – recorda-se a empresária.

- Ela mesma – sorri Mary enquanto fecha a porta atrás de si.

Durante a corrida pela manhã, Mary contou de seu relacionamento com Mia e da tragédia que aconteceu quando era tão jovem. As duas entram no carro de Helena e partem rumo à casa de Bette e Tina.

(Continua…)

segunda-feira, maio 10, 2010

saudade.


Ai que saudade das minhas meninas!

sábado, maio 01, 2010

Living after goodbye – Parte V


por Brunella França em Memórias Póstumas de Jenny Schecter

Acompanhema quinta parte do Fanfic que dá continuidade a The L Word.


Alice e Shane chegam ao Hit onde já estão Bette, Tina, Kit e Helena. A cabeleireira se joga no sofá e recusa até mesmo uma bebida. Algumas garotas passam e a observam, mas Shane sequer olha para elas. Sunset Boulevard convida Kit para uma dança no palco. As mulheres se agitam na boate.

Helena é chamada ao bar. Bette e Tina aproveitam para dançar também. Al tenta convencer a amiga a deixar o sofá. A cabeleireira resiste até ouvir os primeiros acordes de Dancing Queen, do Abba, banda que ela adora. Shane sorri e se entrega ao ritmo na pista de dança com Alice. As duas se envolvem em passos e toques, ainda que meio atrapalhadas. A inglesa se junta à dupla. As três mulheres provocam aplausos, alguns gritos e assovios das que as assistem.

- Ui ui ui! Parece que temos nossas hot girls desta noite! – anuncia Sunset, de trás das pick-ups – Não parem de dançar, garotas… Nossa festa está apenas começando! Em homenagens a essas mulheres maravilhosas que vocês são… Diretamente de Casablanca para o Hit Club, Donna Summer em Bad Girls!

Kit, Ti e Bette se juntam ao trio. Elas acompanham a letra da música e se divertem juntas, como se extravasando o peso dos últimos dias, dos últimos acontecimentos. Uma garçonete passa e Helena pede que ela traga seis taças de champgne. A moça não demora a voltar. A empresária entrega uma taça para cada uma.

- Um brinde! – pede.

As amigas tocam as bordas finas dos cristais.

- Posso saber o que comemoramos? – pergunta Kit, após molhar os lábios na bebida.

- Bom, primeiro, comemoramos a nós mesmas! – todas sorriem – Depois, comemoramos a vida e… O meu retorno à Peabody-Shaolin Film Studio – revela.

Elas se empolgam e erguem as taças novamente.

- Helena! Como você conseguiu isso tão rápido? – quer saber a produtora executiva.

- Depois que deixei a casa de vocês, fui direto falar com um dos advogados da Peabody Foudation. O que cuidou do processo de arrendamento do estúdio. Ele entrou em contato com William, que aceitou nossa primeira proposta, de 10 milhões de dólares, por Lez Girls. Isso significa que… O filme será distribuído em sua versão original e já temos capital para um novo projeto – comunica às outras.

- Novo projeto? – anima-se Bette.

- Humrum! O roteiro de Alice – a inglesa se volta para a jornalista – Tenho certeza de que teremos uma grande história!

Há mais quatro brindes. Um, pelo roteiro de Alice. Dois, pela permanência de Bette e Tina em Los Angeles; três, pela reabertura do Hit e quatro, por Shane. Percebendo a euforia do grupo, Sunset oferece a trilha sonora do momento: I will survive, de Gloria Gaynor.

As amigas pedem que a cabeleireira volte a ser a Shane de sempre e apontam algumas das mulheres que estão interessadas nela. Meio encabulada, porém, ela diz que não está interessada no momento. O grupo se desfaz quando a música termina.

Shane pede que Al fique com ela na pista de dança.

- Oh shit, você sabe que eu sou um desastre dançando, eu tenho os dois pés esquerdos!

- Ow, come on, girl! Você arrasou naquele festival de dança… – a cabeleireira vê a tristeza da amiga ao se lembrar daquela noite – Fuck! Me desculpe, Alice… Nós podemos ir se você quiser…

- Tudo bem, ok? – ela respira fundo – Fuck! Não vamos a lugar nenhum. Fuck! Vamos ficar aqui e dançar… Mesmo que eu não tenha ritmo – ri de si mesma.

Do sistema de som da boate vem o som de Can Get Enough of Your Love Baby, na voz de Barry White. Shane cola o corpo de Alice ao seu e a segura firme pelas costas. As duas estão se divertindo, cada uma, a seu modo, tentando curar suas dores até que a cabeleireira é empurrada por trás.

- Hei?! – reclama Shane.

- Tasha?! – Alice vê a ex-namorada – Mas… What the fuck?

- Eu que pergunto que merda é essa?! – diz a policial, alterada.

- Ei ei ei! Tasha, nós estamos só dançando… Al e eu…

- Mas foi só a gente dar um tempo que você já chega dando em cima da minha namorada?! – Tasha dá outro empurrão em Shane.

- Tasha?! O que deu em você? Stop!… – pede a jornalista, estarrecida com a atitude da ex – Primeiro, Shane e eu somos amigas antes mesmo de eu conhecer você, ok? – ela fala ríspida – Segundo, eu não sou mais a sua namorada… Onde está Jamie? – pergunta, irônica.

A policial emudece.

- Você sabe que eu não estou com ela… – afirma, olhando para o chão.

- Mas isso não muda o fato de que não está comigo também! – enfatiza a loira.

- Al, vamos com calma… – pede Shane – Acho que vocês precisam conversar. Oh shit! Vocês se gostam… Era isso que deveria importar, não? – a cabeleireira tenta uma reconciliação.

As outras duas permanecem em silêncio.

- Alice – a policial toca no braço da loira – Nós podemos conversar? – pede.

- Acho que… Devemos – responde a jornalista – Só não pode ser agora, Tasha, eu… Preciso digerir essa cena de ciúme ridícula… Eu ligo para você depois… – diz e dá as costas para Tasha, deixando-a com Shane.

- Hei… Al é uma garota especial… Uma sister, Tasha… Saiba disso – a cabeleireira vai atrás da amiga.

Ela a alcança na saída do Hit e as duas decidem ir para casa. Dirigem-se para a residência da jornalista. Bette e Tina resolvem terminar a noite em casa com direito a strip-tease da produtora para sua mulher, que não aguenta esperar sua loira tirar todas as peças e a puxa para a cama. Kit e Helena fecham a boate. A irmã de Bette vai para casa com Sunset Boulevard e sua sócia olha no relógio, ansiosa para o encontro com Mary MacDuffy.

***

Contrariando seus princípios de dormir enquanto pode nos finais de semana, Liv acorda cedo no sábado. Até pensa em ter disposição para correr com sua mãe, mas logo desiste da ideia. Ela prefere os esportes coletivos e, de preferência, que não envolvam corrida, como o vôlei.

- Bom dia, bela adormecida – cumprimenta Mary – A senhorita não deveria estar na cama a uma hora dessas? – a policial vai até a filha, abraça-a e a beija na testa.

- Bom dia, mulher maravilha! – a jovem se abraça à mãe e resiste a soltá-la.

- Huuuuuuuum! É muito bom ter a minha pequena em casa! – sorri a investigadora – E melhor ainda vê-la tão bem disposta – olha para o rosto radiante da filha – Deixa ver se adivinho… Encontramos alguém interessante? – bagunça o cabelo de sua fada ruiva.

Liv ri da pergunta da mãe. Acha incrível a ligação que elas têm, sempre sabendo, sempre cuidando uma da outra.

- Bem… Pelo visto não fui só eu… – provoca a figurinista.

As duas riem juntas.

- Qual o nome dela? – pergunta a filha enquanto esfria sua xícara de chá, costume que trouxe da Europa.

- Argh! Não sei como você consegue beber isso – reprova Mary, enquanto sorve seu copo duplo de cappuccino.

- Mãe, não desvie do assunto! Eu perguntei o nome dela! – insiste a garota.

Mary respira fundo e olha para a filha, tão parecida a sua Mia.

- Helena – revela, por fim.

- Huuuum… Alguém aqui parece bem caidinha de paixão, hein?! – a ruiva implica com a mãe de brincadeira.

- Hei, vamos parando, ok? Nós só almoçamos ontem, nada demais – a detetive informa.

- Sei… – a figurinista se vira para deixar a cozinha.

- Ei ei ei! Aonde vamos? – Mary segura-a pelo braço – Sua vez, mocinha! Qual o nome dela?

Liv se diverte com sua mãe, desvia os olhos para o teto e finge que não vai dizer. Quando a investigadora está prestes a desferir o ataque de cócegas, ela entrega.

- Dylan! – ela solta entre risos.

- Ficha completa, bela!

- Ok. Diretora de Dangerous Girl, recém separada do amor da vida dela e incrivelmente gostosa! – ela pisca para a mãe – Mais alguma coisa?

- Você não tem jeito mesmo – Mary balança a cabeça – Só quero que tome cuidado…

- Eu sei… Tomar cuidado com meu coração… Mamy, não se preocupe, ainda não é dessa vez que eu espero poder me casar, ter filhos e ser feliz para sempre. I’m a girl and I just wanna have fun! – avisa.

- Às vezes eu esqueço que você sabe se cuidar! – Mary abre os braços e Liv se aconchega ao corpo da mãe, seu lugar seguro no mundo.

- E as coisas entre essa tal Helena e você, como são? – pergunta a ruiva.

- Eu ainda não sei… Mas, de alguma forma, me identifiquei com ela. Acho que nos parecemos em alguns sentidos. Engraçado, ela também acaba de sair de uma relação muito intensa. E eu sei que ela ainda ama a outra.

- Hum… E vocês vão se encontrar hoje?

- Vamos correr! – responde a detetive.

- Correr? Correr do tipo… Ir para o parque e correr? Ou ir para a praia e correr? – pergunta Liv, sem entender.

- É, correr do tipo correr! – confirma Mary.

- Mãe, isso não parece um encontro, parece um… Programa de amigas saudáveis, sei lá! – estranha a jovem.

- Liv, algumas pessoas gostam de praticar certas atividades físicas. Helena gosta de correr, eu também. Então, vamos juntas, só isso – explica.

- Hum rum, sei. E pelo visto é só isso mesmo, não?!

- Hum… Não sei. Pode ser que tenha um depois – a policial deixa a filha curiosa.

- A-ha! Só uma pergunta… Parque ou praia?

- Hum… Praia!

- Great! Eu amo você, mãe!

- Eu também amo você, minha filha… Eu também amo você! – elas se abraçam por alguns instantes.

- Mãe, você vai se atrasar para a corrida – avisa Liv.

- Ok, eu já vou. E a senhorita, por favor, cuide-se! – recomenda Mary.

A policial sai em direção à casa de Helena, onde a empresária já a aguarda para irem correr na praia.

Living after goodbye – Parte IV


por Brunella França em Memórias Póstumas de Jenny Schecter

Acompanhem Dylan na quarta parte do Fanfic que dá continuidade a The L Word.


PARTE IV

Nos estúdios da Paramount, a equipe de produção de Dangerous Girls está a todo vapor. Cenas de testes estão sendo gravadas e os personagens alienígenas são criados no computador, com a tecnologia em 3D. Já é noite quando a diretora libera todos para um descanso.

- Você parece chateada com alguma coisa – intui Liv.

- Só não esperava ter de ceder em algo tão importante para dirigir esse roteiro da forma mais independente possível – desabafa Dylan.

As duas entram na sala da diretora. Dylan se encosta a uma mesa e Liv senta sobre a outra, cruza as pernas e apoia o corpo nas mãos, inclinando-o levemente.

- Não queria Niki Stevens no elenco? – supõe.

- Bem, nem tudo poderia ser mesmo do jeito que eu quero – ela olha para o chão e balança a cabeça para, logo em seguida, sorrir à ruiva – Mas para um primeiro dia de gravação com a equipe completa, acho que rendemos bastante – avalia.

- Estou empolgada – os olhos da ruiva cintilam – Nunca tinha pensado em desenhar figurinos para personagens feitos por computação gráfica. É desafiador – comemora.

- Dirigir personagens virtuais também é uma experiência nova… – a diretora é interrompida por alguém abrindo a porta.

- Hi! – sorri Niki ao cumprimentá-las – Bem, eu espero não estar atrapalhando nada – diz a atriz, provocando-as.

- Olá, Niki. Você precisa de algo? – Dylan pergunta séria, desfazendo o jogo de insinuações da jovem.

- Ow, não… Eu só… – ela se aproxima da diretora – Quero dizer que estou muito feliz em trabalhar com você, Dylan… – sorri.

- Well, ham… É bom tê-la no projeto. Todos… Todos queremos fazer um grande trabalho aqui.

Niki se volta para Liv. Com olhar interessado, aborda a figurinista.

- Liv – a atriz pronuncia num tom sedutor e apoia as mãos nas pernas da ruiva – Adorei a sua ideia para o figurino da minha personagem. É sexy sem ser vulgar e nada óbvio também – elogia.

Quando a garota ensaia um movimento de deslizar as mãos para as coxas da figurinista, ela segura as mãos da atriz e oferece um sorriso de reprovação.

- Fico feliz que tenha gostado, miss Stevens – Liv tira as mãos de Niki de suas pernas.

- E eu posso saber como é esse figurino? – questiona Dylan.

- Claro! – a ruiva abre seu notebook e mostra o modelo – Eu busquei algumas influências em personagens de histórias em quadrinhos, no exército e em filmes semelhantes – explica – A personagem é uma atiradora de elite, uma mulher sedutora, mas elegante, com estilo próprio e muito charme. Por isso, escolhi para ela um corpete de couro preto. É uma peça sexy e valoriza o corpo da mulher. Para combinar, uma bermuda de alfaiataria com botões descentralizados, à direita e à esquerda. Atente para o detalhe da barra dobrada – ela aponta na tela e a diretora acompanha a explicação – Para finalizar, um colete com a estampa do exército estilizada em tons de preto e cinza – sorri, orgulhosa de seu trabalho.

- É a primeira vez que me sinto realmente adulta num trabalho e acho que essa roupa vai ajudar bastante – adianta-se em dizer a atriz.

- Ah, como pude me esquecer? – Liv apressa-se em dar destaque aos pés da boneca que usa como manequim – A marca da personagem serão esses scarpins em dégradé de vermelho. E, para o cabelo, eu sugiro que ela use um rabo de cavalo bem no alto da cabeça – a ruiva aguarda o veredicto de Dylan.

- Só no protótipo já parece incrível, Liv. Estou… Impressionada!

- Estou ansiosa para atuar logo com meu figurino… – diz a jovem, jogando charme para a figurinista.

- Mais alguma coisa que você queira dizer, Niki? – pergunta Dylan, um tanto sarcástica.

- Hum… Só um convite – olha-as – Para as duas – sorri – O Hit reabre hoje e promete uma noite incrível – ela gesticula com as mãos – Mas a festa só estará completa com vocês lá. Espero vê-las mais tarde – a atriz pisca para ambas e sai. Da porta, joga um beijo para cada uma.

Dylan vira a cabeça para o lado, como quem não acredita no que vê e sorri, nervosa. Liv desliza da mesa, pousa no chão e ajeita o vestido.

- O que é o Hit? – interessa-se em saber.

- Ow, Hit Club. A melhor boate lésbica de Los Angeles – informa a morena, não muito à vontade.

- Uau! Eu preciso conhecer esse lugar – entusiasma-se.

- Bem, Niki fez um convite, basta aceitar – diz a diretora, num tom meio de decepção.

- Esqueça essa garota – Liv se aproxima e descruza as mãos de Dylan – Vamos comigo – convida. Ela põe as mãos da diretora em sua cintura.

- A proposta é tentadora! Mas… – a morena desvia o olhar.

- Mas…? – a ruiva a traz de volta.

- Eu não vou ao Hit, me desculpe – a diretora desliza as mãos pelas costas da figurinista, que estremece aos toques suaves.

- Por que não? – insiste a jovem, colando seu corpo ao da outra.

- Eu não me sentiria bem… Não quero encontrar alguém que certamente estará lá – explica, evasiva.

- Ex-namorada? – arrisca a ruiva.

- Mais do que isso… – Dylan se solta do corpo convidativo de Liv e se recosta na mesa onde antes estava a figurinista.

Liv se vira para a diretora. Nos olhos da morena, lágrimas e dor.

- Ela é a mulher por quem eu sempre fui apaixonada, desde que a conheci. Ela é… – seca as gotas e cruza os braços abaixo dos seios – Ela é o amor da minha vida e eu… Eu estraguei tudo… Duas vezes… E a última ainda é bem recente – esconde o rosto.

Liv sabe bem o que a outra sente, aquela dor lhe é familiar. Imediatamente, recorda-se de sua viagem à Espanha e de Amanda. Ainda dói. Num passo hesitante, vai até Dylan e oferece um abraço. A diretora se permite chorar no ombro daquela até então desconhecida. Deixa cair as lágrimas, como se as gotas possam lavar também a angústia, o arrependimento, as noites insones desde que Helena terminou o relacionamento entre elas.

Quando já se sente melhor, levanta a cabeça e busca os olhos de Liv. Aquele verde convida a um passeio por belas campinas e a flor oferecida está ao alcance de seus lábios.

- Eu preciso rever algumas cenas no script e ainda passar no estúdio onde o pessoal da computação gráfica está trabalhando – diz a diretora.

- Bom, já entreguei alguns moldes hoje e vou tentar adiantar mais alguma coisa para segunda-feira… – a figurinista deixa Dylan livre e pega sua bolsa colorida em forma de borboleta – See you! – despede-se.

A diretora alcança a ruiva próxima à porta.

- Liv – segura-a pelo braço – Eu… – o agradecimento fica mudo ante o sorriso da figurinista.

A jovem acaricia o rosto da outra e une os corpos pela cintura, com a mão firme nas costas da diretora. Dylan fecha a porta e busca os lábios de Liv. O beijo cresce em intensidade à medida que as mãos partem em explorações cada vez mais ousadas.

O mini-colete de Liv é o primeiro a tocar o chão. A figurinista diverte-se nos tantos botões da camisa de Dylan, que deixaram seus dedos coçando desde que a vira. Blusa aberta, enquanto ambas saboreiam-se em bocas e línguas, os dedos habilidosos da ruiva não encontram resistência para desabotoar o jeans que a morena veste.

A diretora, por sua vez, demora-se em carícias pelas coxas firmes da figurinista. Liv comprime seu corpo contra o de Dylan e desce em beijos e lambidas pelo pescoço, colo, até chegar aos seios. O sutiã desaparece rápido e os mamilos sequer têm tempo de sentir a temperatura da sala. A ruiva suga, beija e lambe-os alternadamente.

Dylan respira ofegante e aprecia o prazer daqueles lábios macios percorrendo seu corpo. Em resposta, abriga sua mão na calcinha da outra, acariciando-lhe em movimentos circulares até chegar ao ponto intumescido entre as pernas da figurinista.

Com gemidos descompassados, Liv pede mais e recebe. Seus dedos encontram úmida a abertura da mulher em suas mãos, pronta a recebê-la. A ruiva pede espaço e posiciona a perna da morena pouco abaixo de sua cintura. Buscam os olhos por um instante.

Quando sente sua outra perna sendo deslocada, a diretora solta um gemido mais alto e se entrega às carícias da jovem. As duas buscam movimentos ritmados, aumentando-lhes o prazer. No baixo ventre de Dylan, a excitação palpita. Elas experimentam o ardor pleno do êxtase ao fundirem-se. O orgasmo que alcançam prolonga-se até sentirem as forças faltarem.

O laço das pernas da diretora afrouxa e Liv a ajuda a descer. Retira a mão devagar, fazendo a morena estremecer mais uma vez. Dylan se apoia na porta e abriga o corpo de Liv até as respirações normalizarem. Elas se fitam, satisfeitas.

A ruiva busca os lábios da outra, que os recusa. Um arrependimento tênue nubla o rosto da diretora.

- Liv, eu… – tenta se afastar. A figurinista a segura com o corpo.

- Dylan, eu sei o que você vai dizer. E, acredite, eu também não quero um relacionamento.

A morena relaxa e encosta a testa na da ruiva.

- Você é uma mulher atraente, interessante e me excita, mas isso não quer dizer que eu esteja apaixonada, entende? – esclarece a figurinista.

- Acho que sim – e contrai a face num meio sorriso.

- Podemos apenas nos divertir? – propõe a jovem.

- Hum… Acho que posso me acostumar a essa diversão – responde e beija Liv.

As duas se recompõem e deixam a sala da diretora. Dylan ainda vai trabalhar com a equipe de computação gráfica. Liv vai para casa.

segunda-feira, abril 12, 2010

The Real L Word

por Del. do Parada Lesbica.

Já imaginou um reality show só com lésbicas produzido pela criadora de The L Word?
Estréia 20/06 – Veja o trailer, o poster e as participantes!

Quem estava com saudades de uma super produção hollywoodiana voltada para lésbicas pode comemorar. Ilene Chanken, criadora da série favorita de 9 em 10 lésbicas, The L Word, agora surge com outra grande novidades para nosso público, um reality show inspirado na série.

The Real L Word já está sendo gravado e estréia dia 20 de Junho no canal americano Showtime, responsável pela série original e por outras séries de qualidade, como Dexter por exemplo.

A série irá acompanhar um grupo de lésbicas de elite da costa oeste americana, contando sobre suasvidas, romances e trabalhos.

Conheça as 6 participantes principais, são elas:

tracyTRACY
29 anos — Silverlake, Califórnia
Executiva de Televisão e Cinema

Por trás de seu visual sensual de terninho, Tracy é uma mulher fashion fazendo o que sabe fazer de melhor – desenvolver estouros de bilheteria durante a semana enquanto patina e sai com os amigos no fim de semana. Com um toque de seriedade e charme, ela recentemente despontou na cena. Tracy é o sonho de qualquer garota, exceto talvez por sua mãe, que está tendo dificuldades em lidar com a sexualidade de Tracy. Tracy vai ser capaz de se reconectar com sua mãe enquanto começa um novo relacionamento que traz consigo suas próprias complicações familiares?

nikkiNIKKI
37 anos — West Hollywood, Califórnia
Produtora/Administradora; noiva de Jill

Esta mulher super estilosa e bem sucedida de West Hollywood foi casada com um homem por cinco anos antes de sair do armário durante o “Oprah Winfrey Show”. Mais tarde ela ganhou um prêmio GLAAD por sua aparência e desde então nunca olhou para trás. Nikki tem orgulho de ser chama de “a barracuda” (um tipo de peixe predador) da indústria. Quando ela não está representando uma renomada lista de diretores e talentos, ocupa seu tempo com seu filho único fazendo compras e mais recentemente, planejando o casamento com sua noiva Jill. Ela pode ser uma perfeccionista durona, mas ela não deixa de pedir ajuda quando tem problemas – desde que ninguém esteja vendo.

jillJILL
33 anos — West Hollywood, Califórnia
Escritora; Nikki’s fiancé

A vizinha da porta ao lado vestindo tênis durante o dia e salto durante a noite. Jill é aberta e afável, no entanto cuidado quando os jogos de futebol americano começam, pois ela se torna fervorosa torcendo por Michigan. Esta garota que veio de Jersey cresceu em uma família de judeus ortodoxos e permanece bastante próxima deles. Ainda que insegura a respeito de sua “fluidez sexual,” ela agora está empolgada em revelar sua “normal e bela vida.” Jill é a garota que todos homens desejariam, mas que apenas uma garota tem.

whitneyWHITNEY
27 anos — Hollywood, Califórnia
Técnica de Efeitos Especiais

A amante da vida que não se prende por nada. Com gênio selvagem e esperteza das ruas, Whitney é totalmente solicita. E não demora muito para sua paixão por mulheres a colocar em problemas… Especialmente com mulheres héteros. En quanto Whitney pode ser a melhor amiga que você poderia ter, ela é a pior namoramorada que poderia existir. Ela está sempre “procurando por amor, mas perdendo para a luxúria”

mikeyMIKEY
34 anos — Van Nuys, Califórnia
Fundadora da Gallery Los Angeles; Produtora da Semana de Moda de Los Angeles.

O gênio selvagem por de trás das cortinas da moda. Cheia de tatuagens e sempre atrás de construir motocicletas, todos sabem quando Miley entra no prédio da Cooper. Quando ela não está preparando a semana da moda, ela está trabalhando e promovendo com seus clientes designers em encontros de moda, ensaios fotográficos, encontros e coquetéis. Infelizmente sua vida de intenso trabalho deixa pouco tempo para ela passar com sua noiva que é maquiadora. De qualquer forma, esta nativa da cidade de Culver tem muito a nos mostrar nos próximos meses e nós mal podemos esperar para ver tudo isso.

roseROSE
35 anos — Pasadena, Califórnia
Acessora Pública

Esta latina sexy foi a inspiração para a personagem Papi em The L word. Ela é uma destruidora de corações tentando se livrar dos velhos hábitos e se envolver em um relacionamento sério… mas ela não está tão certa se confia em sí mesma ainda. Felizmente, ela tem uma família que lhe dá muito suporte e que adoraria que ela se aquietasse com sua namorada de seis meses – que eles todos adoram. Mas Rose tem fobia de casamento e talvez seja um pouco selvagem demais para se acomodar com apenas uma pessoa. Ela pode ser tradicional, mas será que o gosto por aventura e sua fama de boa vida farão com que essa jogadora nunca se comprometa com ninguém?

Veja o poster:

trlw

E o trailer exclusivamente legendado pelo do Parada:



Living after goodbye – Parte III

PARTE III

Alice e Kit levam Max para casa. O rapaz diz que está cansado e vai para a antiga garagem, onde mora. Na residência ao lado, Bette está no escritório cuidando dos negócios da galeria da qual é sócia-proprietária com Kelly Wentworth.

Tina chega, abre seu notebook e decide procurar emprego em outro estúdio. Navegando em páginas de informação, encontra notícias sobre a produção do último roteiro de Jenny. No chão, Angélica e Shane brincam de montar um quebra-cabeça de um quadro de Goya.

- Ei, girls, vocês não vão acreditar nisso aqui – comenta a loira.

- O que é, Ti? – pergunta Bette, sem desviar os olhos de seu computador.

- Ouçam essa manchete: Último roteiro escrito por Jenny Shecter será estrelado por Niki Stevens – a produtora executiva se joga para trás na cadeira, perplexa.

- Ow shit! – exclama Shane.

- E tem mais. A jovem atriz diz que está muito feliz em poder homenagear a amiga morta com seu trabalho. Niki conta que as filmagens já começaram. Homenagear Jenny? O que ela está pensando? – indigna-se.

- Isso é ridículo – opina Bette.

- Ow fuck! – diz a loira.

- Tina! Angélica está aqui – repreende a curadora da galeria de arte.

- Vocês sabem quem vai dirigir esse filme? – a produtora, um tanto exaltada, olha para sua mulher e para a amiga – Façam suas apostas – incentiva.

As duas tentam pensar em algum nome, mas desistem.

- Dylan Moreland – anuncia – A diretora foi escolhida por ter sido amiga da roteirista. Os produtores acreditam que assim poderão levar para a tela o mais próximo dos sentimentos de Jenny ao escrever. Quem também foi convidada a fazer parte da equipe é a jovem e talentosa figurinista Liv Gordon. Ela acabou de chegar da Europa, onde causou frisson com seus trabalhos – Tina olha para as amigas sem acreditar no que lê.

- Dylan? O que será que Helena vai pensar quando souber disso? – indaga-se Shane.

- Acho que ela não vai ficar feliz… E acho melhor não contarmos nada ainda. Mas… Liv Gordon? Acho que nunca ouvi falar dela – comenta Bette.

Shane também não reconhece o nome em suas intermináveis listas de mulheres.

- Hum… Ela fez o figurino de uns filmes europeus. Ah, tem um ótimo! Aquele sobre a rainha Elizabeth, a guerreira – a loira tenta fazer as outras se recordarem.

- Huuuum… A garota é boa, adorei os figurinos desse filme – responde a irmã de Kit.

- Pena que não tem fotos dela aqui – lamenta-se a produtora.

- Ficou interessada? – provoca Bette.

Tina dá de ombros.

- Só quero saber como ela é – confirma a loira, alimentando o ciúme de sua companheira.

- Mamy Be, o que a gente vai fazer hoje à noite? – pergunta Angie.

- Baby, a mamy Be vai sair com a mamy Ti hoje. Mas amanhã nós podemos passar o dia na piscina e depois assistir a um filme. O que você acha?

Angélica pensa na proposta da mãe.

- A tia Shane pode ficar com a gente? – questiona.

- Pode, docinho. A tia Shane e suas outras tias vão ficar com a gente amanhã.

- Êeeeeeeeeee – a menina se levanta e começa a correr pelo escritório, provocando o riso nas três adultas.

Tina deixa sua cadeira e pega a filha no colo.

- Mas agora meu biscoitinho vai para o banho – enche a bochecha dela de beijos.

- Ah… – lamenta a criança.

- Nada de “ah…”, mocinha.

- Hei Angie, quando você voltar do banho, prometo uma tigela bem grande cheia de pipoca – Shane pisca para a pequena.

- Oba! – alegra-se Angélica, que se solta de Tina e dá um beijo na cabeleireira.

A produtora sobe com a filha para o banho.

- Vai ao Hit hoje, Shane? – pergunta Bette.

- Mas é claro que ela vai! Nem que eu mesma tenha que arrastá-la – responde Kit, entrando junto com Alice.

- Ow, não, Kit, não. Hoje eu não quero sair… Me desculpe, mas eu não vou ao Hit – diz.

- Shane, qual é? Vamos lá… Por mim! – pede Alice, olhando para a amiga com os olhos úmidos.

- Ei, Al, como estão Tasha e você? – preocupa-se a cabeleireira.

- Não estamos – ela responde e se senta ao lado da amiga, desmontando o quebra-cabeça.

- O que é isso? – pergunta a sócia da boate e do café para a irmã mais nova.

- Angie e Shane estavam brincando – esclarece Bette.

- Um quebra-cabeça de quinhentas peças que forma réplicas de pinturas famosas?! Você deu isso a Angie com apenas quatro anos? – interroga a jornalista, com uma careta de reprovação.

- Dei. Acho importante Angélica crescer desenvolvendo seus sentidos para a arte. E ela adora tintas – orgulha-se – É a pintora da escolinha – afirma Bette.

- E você, Kit? Conte-nos como vai a sua drag… Quer dizer… O seu… – Shane tenta mudar de assunto, fica na duvida em como se referir ao namorado da dona do Hit Club e faz todas rirem.

- Ui… Sonny Benson é incrível! Meninas… Fico com calor só de me lembrar.

- Acho essa história incrível – admira Alice.

- E por que você não desenvolve um roteiro? – sugere Tina – A sua primeira ideia rendeu 500 mil dólares à Jenny.

Shane vai até a cozinha e coloca pipoca no microondas.

Alice pensa na sugestão da produtora, mas antes de poder dizer algo, seu celular toca. Ela pede licença e vai atender na cozinha, onde está a amiga cabeleireira. As duas voltam com três tigelas de pipoca para todas.

Angélica entra no escritório e dança com o fone de seu mp4 novo no ouvido.

- O que ela está ouvindo? – pergunta Tina.

- Ah, é a sequência que nossa querida Sunset Boulevard preparou para tocar no Hit esta noite. Os maiores sucessos da Disco Music, girls! Aquela boate vai ferver hoje – promete a dona do estabelecimento.

Helena chega e cumprimenta a todas com largo sorriso.

- Hello, girls!

- E por falar em ferver, eis que miss Peabody está de volta – comenta Bette entre risos.

As amigas riem. Shane puxa Helena para o chão e monta em cima dela, segurando-lhe as mãos acima da cabeça e imobilizando-a com as pernas.

- Onde a senhorita estava? – diverte-se a ex de Jenny como não fazia há alguns dias.

- Ei! Acho que estamos sobrando aqui, garotas – avisa Alice em tom de brincadeira e finge que vai se levantar.

- Isso é o que se chama chegar junto – ri Tina – Deve ser por isso que ela faz tanto sucesso.

- A sargento MacDuffy é boa? – Kit vai direto à questão.

Elas ficam em silêncio por alguns instantes e olham sérias para Helena, que não resiste.

- Maravilhosaaaaaaaaaa!

Shane se deita em cima dela. Alice e Tina se jogam no montinho, com Angélica por cima.

- Crianças, crianças! Deixem a nossa inglesinha falar – pede sua sócia.

As cinco se sentam.

- Quer dizer que alguém teve uma tarde… – Bette olha para a filha e pensa na palavra mais adequada – Animada?! – pergunta num sorriso insinuante.

- Não brincamos de casinha, se é o que vocês querem saber. Mas Mary é uma mulher incrível – derrete-se a empresária.

- Huuuuuuum! Mary – suspiram as amigas, todas juntas, e caem em gargalhadas.

- Se ela cumprir o que promete, Helena, você tirou a sorte grande, literalmente – brinca Alice.

- Vai levá-la ao Hit hoje? – quer saber Tina.

- Eu a convidei, só que hoje ela está de plantão – lamenta-se – Mas… Vamos nos encontrar amanhã – revela – Combinamos de correr juntas…

- Correr?! Helena, acho que eu não preciso dizer que há outras maneiras de vocês duas se exercitarem – insinua Bette.

- Ow, ow, ow. Perguntas fundamentais – Shane pede silêncio e Helena se posiciona para o interrogatório – Ela é solteira?

- Sim.

- Beija bem?

- Sim.

- Dyke ou no armário?

A inglesa faz suspense.

- Totalmente dyke! – acaba por dizer.

A empresária é abraçada pelas amigas que estão ao seu redor.

- Boa, garota! É isso aí. É muito bom ter a nossa Helena conquistadora irresistível de volta – comemora Shane.

Bette se levanta e chama a filha. Ela vai ligar para a babá que fica com Angie quando ela sai com sua mulher.

No escritório, Alice conta para Helena sobre a ideia do roteiro. A sócia de Kit aprova e incentiva a amiga a criar a história. Ao mesmo tempo, pensa em Lez Girls e comenta que se o estúdio ainda fosse seu, distribuiria o filme original e, em seguida, rodaria o script de Alice.

Todas ficam em silêncio.

- E se você conversar com sua mãe? – sugere Shane.

- Ow, acho que podemos ter alguma chance – anima-se Tina – William está falido, não consegue distribuir sua versão com final hétero. Ah, acabo de receber a informação que Adele e aquele presidente pularam fora da jogada – comemora.

- Esperem… – Helena se levanta e dá alguns passos pelo escritório tentando se lembrar de algo – Quando minha mãe me desautorizou a usar nossa fortuna, o advogado que cuidou de tudo não vendeu o estúdio. Ele arrendou até que eu pudesse reassumir a presidência. E os direitos do filme foram comprados em nome da Peabody-Shaolin Film Studio – ela se anima à medida que se recorda de alguns detalhes – Então, pelo que Tina diz, nosso único empecilho é o investimento de William no projeto. Você se lembra de quanto foi, Ti? – ela pede ajuda para recordar a cifra.

- Dezenove milhões de dólares – responde a produtora executiva.

- Não quero ser muito otimista, mas… Acho que conseguimos cobrir esse valor com os patrocinadores certos – vibra a empresária.

As mulheres se empolgam com a ideia e Tina vai buscar Bette enquanto Helena faz algumas ligações.

A inglesa consegue, em poucos minutos, 15 dos 19 milhões que precisa. Enquanto as outras pensam no que fazer, Helena se lembra do dinheiro guardado em Malta. Ela diz que não gastou nada enquanto estava com Dusty no arquipélago paradisíaco. Pede para usar o notebook de Tina e busca o saldo de sua conta pela internet.

- Bem, girls – ela sorri – Acho que podemos começar a jogar com seis milhões nossos – anuncia.

As amigas ficam impressionadas com o montante e decidem comemorar o novo empreendimento.

- O brinde fica para mais tarde, no Hit – sugere Kit.

Todas murmuram em concordância.

- Muito bem, agora eu preciso ir ver o meu advogado para saber dos termos do contrato de arrendamento. Vejo todas vocês mais tarde – despede-se Helena.

Kit acompanha sua sócia.

Alice vai com Shane até a casa da amiga. Bette e Tina ficam sozinhas enquanto Angélica brinca no quarto.

- Parece que alguém não vai precisar de outro emprego – diz Bette enquanto puxa a parceira para si e a beija.

- Parece que não – Tina acaricia o corpo da curadora.

- Isso significa que adiamos em definitivo a mudança para Nova Iorque? – pergunta a morena enquanto deixa a blusa de sua mulher cair no chão.

- Definitivamente adiada! – responde a loira enquanto desliza a mão para dentro da calça de Bette.

Tina senta numa das cadeiras e leva a parceira consigo, sem parar de acariciá-la. A curadora respira acelerado e beija o pescoço de Ti enquanto lhe aperta os seios. Elas se movimentam no mesmo ritmo. Quando a produtora geme mais alto, Bette lhe cobre a boca com beijos.

A loira sente em seus dedos o gozo de sua mulher. Elas se entregam ao prazer de se terem e se abraçam.

Com a cabeça deitada no ombro da produtora, a morena respira profundo, ainda sob efeito do orgasmo.

- Eu ainda preciso me casar com você – sussurra.

Ti abre um sorriso radiante e busca os lábios de sua amada.

- E eu estou pronta para dizer sim a você.

As duas ficam de rosto colado e sonham, cada uma a sua maneira, com uma cerimônia de casamento.

Living after goodbye – Parte II

continuemos...

Parte 2 do primeiro capítulo do Fanfic que continua a série lésbica mais saudosa de todos os tempos!


No The Planet, Bette e Tina se despedem das amigas antes do almoço. Não que alguma delas esteja com fome. O casal vai buscar Angélica, filha delas, na escola. Coisa que fazem desde a morte de Jenny e do adiamento da mudança para Nova Iorque.

Alice e Kit acabam convencendo Shane a ir junto. Será bom para ela se distrair um pouco. Sem muita vontade para ir ou para ficar, a cabeleireira acaba se deixando levar pelas amigas.

O luto de Shane não é apenas pela namorada morta. Sente-se confrontada em seus princípios com a morte de Jenny. Acredita que a escritora morreu por sua culpa, por ela não saber levar um relacionamento, por sua aversão ao “nós”. Desde então, pensa na possibilidade de outras garotas terem feito o mesmo que Jenny e ela nem saber. Ao mesmo tempo, a decisão de abandonar Carmem no altar ainda lhe pesa e as lembranças da DJ retornam com mais força após vê-la no vídeo tributo a Bette e Tina.

Shane sempre viu no casal de amigas o ideal de um relacionamento. Não que elas sejam perfeitas ou não tenham crises. Ao contrário, são humanas e vivem as qualidades e os defeitos uma da outra. E ainda assim, tem uma família. São mães de Angélica e estão aguardando a vez para adotarem um bebê.

Naquele momento, porém, adotam a amiga. O passeio pela praia, o almoço à beira mar e a ida à sorveteria são muito mais para Shane do que para Angie. Ainda que a menina esteja muito feliz com as mães depois da escola.

No café e bar preferido das lésbicas em West Hollywood, Alice, Tasha, Max e Kit almoçam uma comida cubana pedida de um restaurante próximo.

- Eu tenho que ir – anuncia Tasha enquanto junta suas coisas – Tenho prova hoje à noite e preciso estudar – justifica.

A policial recém ingressa na Academia se despede de Alice com carinho, mas as duas ainda não sabem se continuam tendo um relacionamento. Ainda não tiveram uma nova conversa.

- Nós vamos com Max a uma consulta. Está quase na hora desse bebê nascer – informa Kit.

Alice deixa a ex-namorada sair sem dizer nada. A separação recente ainda dói. O sentimento de Tasha por Jamie ainda machuca. A traição da amiga ainda fere. E a jornalista não quer saber se as duas tiveram ou não qualquer envolvimento a mais desde que ela, Alice, expôs os sentimentos das três numa conversa.

A loira tenta não pensar naquilo tudo, mas sabe que precisa resolver sua vida. Seguir com ou sem Tasha. Contudo, a perspectiva de não ter sua mulher ao lado a entristece.

- Max, você já pensou no nome do bebê? – pergunta a jornalista, escondendo uma lágrima.

- Ainda não, Al… Eu acreditei que não faria isso sozinho – Max se recosta na cadeira com suas lembranças do ex-namorado, Tom Mater.

- Mas seu filho vai precisar de um nome, garoto – incentiva Kit – E não se preocupe que todas nós vamos ajudar você a cuidar dele – a empresária segura a mão do desenvolvedor de softwares.

- Eu ainda acho que essa criança não deveria nascer, eu… – respira fundo – Ela vai me ver como pai, mas um dia vai saber que eu a gerei. Não sei se eu suportaria bem uma situação assim – desabafa o transexual.

- Você está mesmo determinado a mudar de sexo? – pergunta Alice.

- Acho que minhas dúvidas terminaram, Al. Assim que eu puder, depois dessa gravidez, vou me submeter à cirurgia. É a minha decisão.

- Você fica lindo de barba, boy – elogia Kit – E quanto ao seu filho, Max, ele está quase nascendo e será o que tiver de ser. Estamos com você – abraça-o.

- Acho melhor nós irmos para o consultório da obstetra ou vamos nos atrasar – alerta Alice.

Os três saem juntos.

A alguns quarteirões dali, Liv está indecisa em frente ao seu closet. Tenta decidir qual o vestido mais apropriado para se apresentar no novo trabalho. A figurinista chegou da Europa com uma proposta da Paramount para um filme. Só foi ver o roteiro quando devidamente instalada em sua casa, mas a proposta financeira e a garantia de ganho sobre o faturamento do projeto, que inclui ainda um game com os personagens da película, fizeram com que ela aceitasse o trabalho antes mesmo de ler o script.

A jovem está curiosa para conhecer novas pessoas. Leiam-se: novas possibilidades de conquistas. Nem bem se despediu de suas belas irlandesas, já sente o corpo reclamar a falta de companhia.

Algumas trocas de roupa depois, Liv escolhe uma peça não muito curta, um vestido balonê, num tom rosa cru; colares desarmônicos coloridos que se complementam; um mini colete cinza grafite; uma meia calça preta com bordado floral; e, nos pés, um scarpin com estampas coloridas das Fabulosas Vilãs da Disney. A maquiagem é cuidadosamente natural. Antes de sair, arruma as coisas na cozinha e deixa um recado para sua mãe avisando aonde vai.

Liv Gordon é linda. Fato. Olhos verdes e intensos. Diria até que transbordantes. Corpo muito bem feito em curvas e com volumes cheios nos lugares exatos. O cabelo cor de fruta vermelha pronta a ser colhida não é liso nem cacheado. Wave, como ela gosta de dizer. O corte é repicado, bem moderno, combinando com sua personalidade.

Jeito e atitude de conquistadora, acredita num relacionamento sério e duradouro. Paradoxal? Não! É só que enquanto a mulher de seus desejos não aparece, experimenta tantas quantas possa. Não é muito de se apaixonar. E, apesar de duvidarem, é capaz de amar intensamente. E ama. Sobretudo sua mãe e seu trabalho.

A it girl não precisa que o espelho lhe emita opiniões. Basta sair às ruas e os olhares de gula se multiplicam. As mais audaciosas não se contentam em comê-la com os olhos e se declaram, “gostosa!”.

Liv é apaixonada por vestidos, quase nunca usa calças, mas adora mulheres que as vestem. Especialmente quando combinadas a um terninho. E se for uma composição em preto e branco, então…

- Irresistíveis! – ela admite.

Esplêndida em seus 26 anos, acaba de retornar a Los Angeles, cidade onde passou a maior parte da adolescência. Fez curso de Design de Moda no Fashion Institute of Technology (FIT), em Nova Iorque. Nem bem tinha dado conta do último semestre, ganhou bolsa de estudos no Studio Berçot, em Paris, para especialização em figurino para cinema. Dois dias após seu baile de formatura, arrumou as malas, terminou com a namorada, deixou o colo de Mary e seguiu, esvoaçante como é, rumo ao velho continente.

Um ano e meio depois, concluído o curso com um trabalho numa produção de época francesa, seguiu para Londres e causou frisson ao produzir o figurino de um filme cult sobre a Rainha Guerreira. Passou outro ano e meio trabalhando e estudando no Central Saint Martins College. Alguns dos mais antenados diretores europeus já lhe atribuíam o título de garota prodígio e queriam tê-la em suas produções.

Terminado o último filme dos três em que trabalhou ao mesmo tempo, tirou seu mês de férias e foi fazer um pouco do que mais gosta: olhar pessoas na rua e estudar o que elas vestem em vários lugares diferentes. Adora pessoas que constroem verdadeiros tipos com suas roupas e anota pérolas para si.

- A rua é o laboratório mais democrático – costuma dizer.

Com muito material na bagagem, algumas peças que não dispensaria de seu guarda-roupa e uma saudade imensa do abraço da mãe, voltou para L.A. depois de passar por Espanha, Grécia, Turquia, Leste Europeu e, finalmente, Irlanda. Em solo americano, o trabalho novo a espera. Uma comédia lésbica com um toque de ficção científica, com direito a alienígenas. Nada de incrível, só um candidato a blockbuster, mas um trabalho que lhe renderá um bom dinheiro. E não deixa de ser sua entrada em Hollywood.

Enquanto se dedicava a estudar o roteiro e lia as cenas mais quentes, sentia necessidade de uma nova inspiração (leia-se: uma nova mulher em sua cama) para criar o figurino das personagens do filme e do game – esta será sua primeira experiência numa produção mais complexa. Pensa nisso enquanto dirige rumo à primeira reunião com a equipe de trabalho.

Liv entra no estúdio da Paramount e é saudada por futuros companheiros de jornada. O encanto pela ruiva é natural. Cabelos soltos, ela parece mesmo uma fada, só que com saltos altos no lugar das asas. Algumas pessoas se aproximam e se apresentam mais interessadas em saber quem é a jovem. Ela, porém, não guarda o nome ou as feições de quaisquer deles porque uma mulher alta, cabelos curtos e pretos, trajando um jeans básico e uma camisa branca de botões, faz elevar seu desejo ao ápice.

A mulher repara no burburinho ao seu redor e deixa de lado os papéis que lia concentrada. Aproxima-se com olhar interessado.

- Você é…? – pergunta franzindo a sobrancelha.

- Liv Gordon – apresenta-se a ruiva com um sorriso.

- A figurinista! – a mulher alta reconhece o nome.

- E você? – quer saber Liv, um tanto ansiosa.

- Dylan Moreland – revela a outra, prestando atenção em cada detalhe da mulher a sua frente.

- A diretora! – admira-se a recém chegada.

Sorriem.

- É um prazer tê-la em nossa equipe, Liv. Eu… Pude ver alguns de seus trabalhos e fiquei bastante impressionada – cumprimenta Dylan.

Um breve toque de mãos é o suficiente para revelar a atmosfera de desejo que as envolve.

- Obrigada – sorri a ruiva – Eu também conheço alguns de seus documentários e gosto bastante deles. The other side of Nothing é… Uau! Incrível. Mas… – tenta se recordar de algo – Nunca assisti a uma ficção dirigida por você… – a it girl já se sente à vontade no ambiente.

- Ow, esse é meu primeiro trabalho de não documentário como diretora – explica.

- Somos duas estreantes em Hollywood então… – comenta Liv sem conseguir esconder o quanto está interessada em Dylan.

- Fui convidada a dirigir o filme por ter convivido com a roteirista. Os produtores acreditam que assim serão mais fiéis ao estilo dela. Não sei se você a conhecia…

- Jenny Shecter é das minhas escritoras preferidas – admite a figurinista – e o fato de trabalhar num roteiro escrito por ela foi uma das minhas razões para aceitar o emprego. Então você a conheceu? It’s amazing!

- É, eu tive esse prazer – sorri a diretora, encerrando o assunto Jenny – Bom, se você precisar de alguma coisa, pode me procurar – Dylan vira-se para sair, mas para no meio do movimento e se volta para Liv – Vou assistir ao último teste das atrizes para o papel principal. Temos duas finalistas aqui. Talvez… Quer vir? – convida.

- Claro!

As duas se dirigem para o estúdio onde as atrizes farão o último teste.

Nos arredores da delegacia onde trabalha, entre uma conversa e outra, Mary convida Helena para um almoço num restaurante japonês. Elas param na calçada.

- Eu conheço um lugar por perto, costumo ir lá depois de meus plantões – comenta a investigadora.

- Comida japonesa é das minhas preferidas, Mary – diz a inglesa com um sorriso radiante nos lábios – E a sua companhia parecer ter o dom de deixar as coisas mais… – tentava escolher a palavra.

- Mais o que? – insiste a policial, bastante curiosa.

- Mais gostosas – Helena afirma enquanto passeia os olhos por aquele metro e oitenta centímetros de mulher.

- Bem… – Mary responde à provocação num meio sorriso, levantando apenas num canto da boca e deixando transparecer no olhar todo o desejo que sente pela empresária – Acho que se pode dizer o mesmo de você, Helena – a detetive pronuncia o nome da bela inglesa num tom mais sensual e oferece a mão para a outra.

Acostumada a ter o controle da situação, a proprietária do The Planet e do Hit Club se deixa conduzir pela sargento, excitada com a presença dela. A nova ferida aberta por Dylan ainda não cicatrizou, mas isso não a impede de desejar outra mulher.

Ainda que doa, Helena admite para si mesma que ama a diretora. Diferente do sentimento que teve por qualquer outra mulher que esteve em sua cama, salas, cozinha, corredor, piscina, sauna ou banheiro. Procura, porém, guardar as recordações da única mulher que a deixa molhada só de olhar. A empresária concentra-se no oceano oferecido pelos olhos de Mary, sem medo de mergulhar neles.

As duas entram no restaurante de comida oriental e escolhem uma mesa mais reservada para apreciarem o almoço e os lábios uma da outra.

(Continua…)